Copeiros de Plantão

Blogue criado por professores e alunos de Jornalismo da FACAMP para falar de quaisquer assuntos relacionados ao Mundial 2006.

21.6.06

Comentário sobre artigo

por André Monteiro

O MÚSICO LÉO JAIME OFERECE interessante tese em artigo publicado no Nomínimo. O desapontamento e as duras críticas feitas pela imprensa em relação à atuação da seleção brasileira e Ronaldo, e que aqui, pelo menos nas palavras deste comentador, se reproduzem, se devem, para Jaime, a um certo saudosismo daquilo que nunca existiu, e nem foi prometido: um futebol platônico em que o "Brasil vence de 90 a zero, com 45 gols de bicicleta e o adversário não vê a bola uma vez sequer. Um jogo fácil e sem graça. Um tédio ideal".

NÃO SEI SE É EXATAMENTE isto que está norteando a crítica em relação aos craques da seleção. Mas um de seus argumentos acredito não ser verdadeiro: ele diz que este grupo não se classificou facilmente, sempre foi favorito, mas não imbatível e que os craques nunca prometeram um espetáculo, mas sim ganhar. Tudo bem, não me lembro mesmo que Ronaldinho Gaúcho tenha prometido chutar a bola quatro vezes seguidas no travessão, que Ronaldo e Roberto Carlos tenham prometido golaços e dribles espetaculares. Mas quem não viu as propagandas em que nossos semi-deuses faziam tudo isso? Pode ser culpa nossa de acreditar em toda essa baboseira, mas que esperávamos isso, ah se esperávamos!

DISCORDO TAMBÉM QUE a imprensa está ofendendo Ronaldo. Acho mesmo ser o papel da Imprensa ser a "chata" da história, pegar no pé, sempre respeitando todas as regras do trabalho jornalístico. Digo da Imprensa com 'I' maiúsculo, porque não considero imprensa veículos e pseudojornalistas que só aproveitam oportunidades como a má fase de alguém para fazer sensacionalismo e jogar lenha da fogueira. Ronaldo é ou foi um dos melhores jogadores do mundo, está jogando mal atualmente, pode melhorar amanhã, como já se recuperou de más fases anteriormente, embora seja difícil em tão pouco tempo. Só isso.

EMBORA TUDO ISSO, o artigo de Léo Jaime é oportuno. Talvez falte na imprensa de hoje o que caracterizou ela no passado: um ufanismo vibrante. Acho que estamos tão críticos assim porque não temos mais a mordaça da ditadura. Como disse Fernando Gabeira em seu
blog: "Na Copa de 70, alguns de nós resolveram torcer contra o Brasil. A vitória fortaleceria a ditadura militar. Nos primeiros lances do jogo, a emoção sepultou os vestígios de análise política. Éramos todos fanáticos torcedores brasileiros". Mesmo o mais carrasco jornalista se entrega aos encantos, mesmo quando magros, da seleção verde-amarela.

1 Comments:

At quinta-feira, 22 junho, 2006, Blogger Bia said...

Na mosca, André!

 

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