Copeiros de Plantão

Blogue criado por professores e alunos de Jornalismo da FACAMP para falar de quaisquer assuntos relacionados ao Mundial 2006.

4.7.06

Sobre o último jogo da "Seleção dos Sonhos", é o que você viu aqui nos últimos dias: sem comentários.

por André Monteiro

1.7.06

Um Campeonato Americano?

por André Monteiro
PENSANDO NA ENTÃO possível final sulamericana, Juca Kfouri tem afirmado, em blog e na TV, que a Fifa não se interessaria pelo hexa por questões econômicas óbvias: tende-se a ficar monótona uma competição que pretende-se cosmopolita, mas que tem uma potência acachapante que não deixa nada pra ninguém. Imaginem que o Brasil seria o dobro de vezes mais bem sucedido que as mais bem sucedidas seleções (as tricampeãs Itália e Alemanha)!

O RACIOCÍNIO É o mesmo que se pensar em uma Copa do Mundo de Baseball, em que pese Venezuela, Cuba e Japão terem seleções, onde somente os EUA ganhariam. O que aconteceu muito tempo com o basquete do Dreamteam, que não deixava o esporte cumprir sua vocação cosmopolita nem nos jogos olímpicos. E existe esporte mais universalmente incrível que o futebol? Fiquei embasbacado em saber que existem mais países que fazem parte da Fifa do que nos quadros da Onu!

ATÉ A FINAL SER disputada por dois sulamericanos seria desinteressante, pois a Copa ocorre em território europeu, e a Europa é mesmo, como estamos vendo, a cabeça do futebol mundial. Juca com muito mais propriedade vai além em sua colocação, citando ainda as crises de corrupção na arbitragem mundial e as brigas entre Blatter e o cartola Ricardo Teixeira. Imperdível ler tudo isto que está no dia 29/06 do seu blog.

ME LEMBREI TAMBÉM de uma conversa que o pessoal da classe teve este semestre, mais precisamente o Gota, o Farias e eu. Discutíamos o fato do "melhor jogador do mundo" da Fifa ser sempre um atleta que atua nos campeonatos europeus. O que não deixa de ser uma excrescência, uma vez que muitos dizem que nosso Campeonato Brasileiro é um dos mais difíceis do mundo. Alguns defendem que os europeus reúnem a nata do futebl mundial, por isso ser unânime a escolha de atuantes lá.

É UMA COISA para se pensar, esse "eurocentrismo". Imaginem um cenário, não muito distante, uma vez que a seleção do Tio Sam está melhorando a cada Copa, em que os EUA resolvam, a exemplo do bedelho sempre metido em todos os assuntos, criar um campeonato forte de futebol. Economicamente, pois para isso eles tem bala na agulha. Seria uma imigração de estrelas que fariam a ponte aérea Paris-Londres-Nova Iorque-Los Angeles ficar iluminada por muito tempo. Com certeza os rumos do futebol poderiam mudar -- se para melhor ou pior só a experiência diria.

"Vorwärts immer, rückwärts nimmer"

por André Monteiro

E A ALEMANHA passou por cima dos hermanos! Confesso que no início da Copa a rivalidade falava mais alto no meu desprezo pelos argentinos -- mas depois daqueles 6x0 não consegui ficar imune e fui contagiado pelo belo futebol apresentado por Riquelme & Cia. Passei para o lado deles e tudo que eu mais queria era uma final sulamericana. Meu único medo, parodiando Galvão Bueno, era que perder a final já era ruim, e para os argentinos então seria insuportável. Mas vencê-los seria a glória!
UMA PENA. O time alemão veio para a Copa apenas como um coadjuvante do Penta brasileiro, com qualidade duvidada pela crítica local, Beckenbauer incluso, cuja única vantagem era ser anfitrião. Está crescendo na competição, crítica e Beckenbauer incluídos na onda de otimismo. Alguém viu a premiê Angel Merkel sofrendo, junto com Franzinho, a cada cobrança dos penâltis? A manchete da Der Spiegel, a mais respeitada revista alemã, não nega: "Sempre para frente, Nunca para trás" (enquanto ainda não me familiarizo com a língua de Goethe, a tradução instântanea do Google quebra um bom galho!).
PARA MIM O ESCRETE já está com um pé na final, mas não podemos deixar de lembrar que a seleção italiana adora pregar umas surpresas, boas para ela ou não, em Copas do Mundo. Se vem jogando um futebol à altura de sua camisa é tema para se discutir, mas como ouvi outro dia, a Itália é a seleção mais "copeira" que existe: bem ou mal, na Copa a história é sempre um pouco diferente -- e surpreendente.

30.6.06

A Copa está esquentando

Blogue quase às moscas, mas o ótimo artigo postado pela Bia dá um fôlego a mais nessa vida de blogueiro atrasado.

Como maior porta-voz da crítica ao Ronaldo deste blogue, a capa de Época desta semana mostra bem o que eu não acreditava, mas aconteceu. Eu que somente previa uma recuperação se os marcianos devolvessem o "mojo" do camisa 9, fiquei de boca aberta mais do que todos. E o motivo não foi os gols, apesar deles terem sido capitais -- o futebol empolgante, a disposição, a vontade e a alegria de jogar me surpreenderam no jogador que pode sorrir novamente e mostrar a deus e o mundo seu famoso diastema. "Salve o gordo" mais uma vez.

Gana passou, e agora vem a conhecida França de Zidane. O pesadelo de 98 bate à porta, mas acredito que mesmo com um jogo disputado o Brasil pode vencer. O grande duelo que se espera em campo é exatamente de dois jogadores que vinham desacreditados no início mas puderam surpeender: resta saber quem vai sucumbir a quem. Espero que Zidane se aposente definitivamente depois da partida das quartas-de-final. E a estrela de nosso craque brilhe mais uma vez, para desespero dos adversários que começam a criar um clima de rivalidade antecipado. É mole? Esta semana pulularam declarações desastrosas de jogadres sobre seleções alheias, que às vezes nem adversários diretos ainda são. A Copa está esquentando!

Amanhã, Argentina e Alemanha prometem um jogão. Duas das seleções que mais impressionaram nesta Copa estão vindo com tudo, e quem passar desta partida quase certamente estará na final. Se tudo ocorrer bem e o Brasil for à decisão, deve estar atento neste jogo para saber os segredos de um possível adversário.

29.6.06

Artigo bacana de hoje

Texto Anterior | Próximo Texto | Índice

José Geraldo Couto

Nunca está bom
Não surpreende a torcida cobrar a seleção, e sim ficar inerte sobre o país


FOI MEU amigo Mauricio Stycer, editor da revista "Carta Capital", quem chamou minha atenção: "Já reparou como somos exigentes com a seleção brasileira? Vencemos as quatro primeiras partidas, e, mesmo assim, ninguém está satisfeito". É a pura verdade. Existe um contraste entre o oba-oba da TV e o sentimento de insatisfação dos torcedores com a equipe de Parreira. Isso se vê (ou se ouve) nas ruas das cidades brasileiras e também nos estádios alemães. Você já viu uma torcida menos entusiasmada e solidária com seu time do que a brasileira? As outras seleções podem estar empatando a duras penas, podem estar ganhando feio, podem estar até perdendo, e as suas torcidas estão lá, cantando hinos, entoando gritos de guerra, apoiando, incentivando. A do Brasil parece se manifestar só na hora do gol e quase que por obrigação. Isso quando não vaia. Para nós, nada está bom. Ganhar de pouco é ultrajante, fazer gol feio ofende. E sempre brandimos a ameaça: se o próximo rival jogar um pouco melhor que o anterior, adeus. Não me entenda mal. Sou um dos primeiros a falar mal de nossas atuações, a cobrar um futebol mais solto e bonito. Estamos aqui para isso. Mas não deixa de ser interessante pensar nisso: o brasileiro, que convive mais ou menos passivamente com a humilhante concentração de renda, com a escandalosa corrupção, com a alarmante violência, com o precário saneamento básico, com ônibus lotados, filas em hospitais, falta de moradia e uma infindável série de etc, não tolera uma exibição medíocre da sua seleção de futebol. Por que acontece isso? Talvez porque no futebol, a despeito de nossas grandes realizações (cinco Copas não são pouca coisa), fique mais claro que em qualquer outro departamento que poderíamos ir ainda mais longe. Esse alto grau de exigência não é estranho. Estranha é a aceitação passiva de tudo o mais que nos cerca. Nas outras modalidades da vida, não passaríamos das eliminatórias.

jgcouto@uol.com.br

23.6.06

"Ih fu..., o Ronaldo emagreceu!" e a Copa não é mesmo cheia de surpresas?

por André Monteiro
ANTES QUE OS "Ronaldantes" ensandecidos me apedregem virtualmente, me rendo: demorou, mas Ronaldo desencantou! Não que ele tenha jogado, ainda, como na Copa passada, mas estufar a rede tira qualquer argumento da boca -- haja visto o ótimo futebol que estava sendo apresentado no primeiro tempo e aquele gol dos japoneses que parecia amargar a festa do intervalo. Pode ser que toda a crítica da imprensa a ele seja até uma questão de não entender como funciona o esquema "Ronaldiano": ele sempre vem desacreditado, criticado, envolto em problemas os mais estranhos -- mas no fim das contas isso talvez seja o combustível para ele se superar. E, ao menos tudo indica, ele conseguiu (ou os marcianos se sensibilizaram com a lenta agonia ensaida), como eu achava tão difícil. Mas errar já faz parte do meu currículo neste bolgue. Mas nesse clima de Copa, como é bom calar a boca e gritar pelo "fofinho"!
AGORA, EVIDENTE que fora o componente emocional derivado dessa crítica e desconfiança, a perda do peso ajudou, e muito, como disse ontem o Moraci. Finalmente se esclareceu o que estava sobrando, o que para um atleta de rendimento não era pouca coisa. O esquema tático armado (finalmente uma das Torres de que todos falavam ruiu) também ajudou a bola a chegar aos pés de Ronaldo, e agora Parreira tem o que Tostão dizia que faltava: um problema nas mãos para escalar o time. Do jeito que estava não dava pra ficar. Adriano parece ter perdido a vaga, pelo menos é o que esperamos. Não contava com isso, mas com Robinho jogando o que está, e a permanência de Juninho: deixa o gordo lá vai...e viva o gordo!
É, O CAFU É um ótimo lateral mesmo, sem dúvida. Mas com a partida de Cicinho hoje...não quero ser o Parreira na terça não. Se fosse, o menino do Jardim Irene não ficaria com a vaga não, o que é mesmo uma pena. O que todos vimos hoje é que a seleção tinha que mudar, como todos pediam. E isso foi melhor para todos, a não ser os que podem ter perdido a vaga (e também Roberto Carlos, e agora? Na minha escalação, fora). Contingências necessárias para uma equipe que, só agora, faz jus ao favoritismo que sempre a acompanhou.
QUE VENHA Gana....e que venha gana.

22.6.06

Vitória da...






... o Juca Kfouri disse: do futebol, mas sei não. Para mim, foi da fofice (e vamos se eu consigo explicar aqui o que é fofice).
Fofice do Ronaldinho, "servindo" Ronaldo desde o jogo passado.
Fofice da gente, torcedores, que ouviu a uruca, mas continuou conseguindo esperar o Ronaldo desencantar.
Fofice do Ronaldo (sem ou com trocadilho, tanto faz), que conseguiu abstrair todos seus tormentos e, finalmente, entrou em campo.
(Claro, tem uma leitura mais cínica e/ou mais realista, às vezes as coisas se confundem, que deve olhar tudo isso com muito menos, ahn, alegria, mas fica para depois. Agora é o seguinte: 1, 2, 3 e 4; 4 a 1!)
Do balaco.

... mas eu estou com um medinho...



(e não estou sendo irônica...)

E é isso aí: Gana, Gana, Gana

Eu sei, é uma herança esquerdosa meio besta, mas não gosto dos EUA se metendo em futebol. Como diz o Matthew, meu amigo americano, se meter com futebol é pior coisa que os EUA poderiam fazer para irritar ainda mais o mundo....
Dá gosto quando eles perdem.

E, enquanto isso, Gana vai ganhando dos EUA!!!

Sen-sa-ci-o-nal!!! Não estou vendo, mas a vitória me deixa felicíssima!!!

21.6.06

Comentário sobre artigo

por André Monteiro

O MÚSICO LÉO JAIME OFERECE interessante tese em artigo publicado no Nomínimo. O desapontamento e as duras críticas feitas pela imprensa em relação à atuação da seleção brasileira e Ronaldo, e que aqui, pelo menos nas palavras deste comentador, se reproduzem, se devem, para Jaime, a um certo saudosismo daquilo que nunca existiu, e nem foi prometido: um futebol platônico em que o "Brasil vence de 90 a zero, com 45 gols de bicicleta e o adversário não vê a bola uma vez sequer. Um jogo fácil e sem graça. Um tédio ideal".

NÃO SEI SE É EXATAMENTE isto que está norteando a crítica em relação aos craques da seleção. Mas um de seus argumentos acredito não ser verdadeiro: ele diz que este grupo não se classificou facilmente, sempre foi favorito, mas não imbatível e que os craques nunca prometeram um espetáculo, mas sim ganhar. Tudo bem, não me lembro mesmo que Ronaldinho Gaúcho tenha prometido chutar a bola quatro vezes seguidas no travessão, que Ronaldo e Roberto Carlos tenham prometido golaços e dribles espetaculares. Mas quem não viu as propagandas em que nossos semi-deuses faziam tudo isso? Pode ser culpa nossa de acreditar em toda essa baboseira, mas que esperávamos isso, ah se esperávamos!

DISCORDO TAMBÉM QUE a imprensa está ofendendo Ronaldo. Acho mesmo ser o papel da Imprensa ser a "chata" da história, pegar no pé, sempre respeitando todas as regras do trabalho jornalístico. Digo da Imprensa com 'I' maiúsculo, porque não considero imprensa veículos e pseudojornalistas que só aproveitam oportunidades como a má fase de alguém para fazer sensacionalismo e jogar lenha da fogueira. Ronaldo é ou foi um dos melhores jogadores do mundo, está jogando mal atualmente, pode melhorar amanhã, como já se recuperou de más fases anteriormente, embora seja difícil em tão pouco tempo. Só isso.

EMBORA TUDO ISSO, o artigo de Léo Jaime é oportuno. Talvez falte na imprensa de hoje o que caracterizou ela no passado: um ufanismo vibrante. Acho que estamos tão críticos assim porque não temos mais a mordaça da ditadura. Como disse Fernando Gabeira em seu
blog: "Na Copa de 70, alguns de nós resolveram torcer contra o Brasil. A vitória fortaleceria a ditadura militar. Nos primeiros lances do jogo, a emoção sepultou os vestígios de análise política. Éramos todos fanáticos torcedores brasileiros". Mesmo o mais carrasco jornalista se entrega aos encantos, mesmo quando magros, da seleção verde-amarela.