Copeiros de Plantão

Blogue criado por professores e alunos de Jornalismo da FACAMP para falar de quaisquer assuntos relacionados ao Mundial 2006.

30.6.06

A Copa está esquentando

Blogue quase às moscas, mas o ótimo artigo postado pela Bia dá um fôlego a mais nessa vida de blogueiro atrasado.

Como maior porta-voz da crítica ao Ronaldo deste blogue, a capa de Época desta semana mostra bem o que eu não acreditava, mas aconteceu. Eu que somente previa uma recuperação se os marcianos devolvessem o "mojo" do camisa 9, fiquei de boca aberta mais do que todos. E o motivo não foi os gols, apesar deles terem sido capitais -- o futebol empolgante, a disposição, a vontade e a alegria de jogar me surpreenderam no jogador que pode sorrir novamente e mostrar a deus e o mundo seu famoso diastema. "Salve o gordo" mais uma vez.

Gana passou, e agora vem a conhecida França de Zidane. O pesadelo de 98 bate à porta, mas acredito que mesmo com um jogo disputado o Brasil pode vencer. O grande duelo que se espera em campo é exatamente de dois jogadores que vinham desacreditados no início mas puderam surpeender: resta saber quem vai sucumbir a quem. Espero que Zidane se aposente definitivamente depois da partida das quartas-de-final. E a estrela de nosso craque brilhe mais uma vez, para desespero dos adversários que começam a criar um clima de rivalidade antecipado. É mole? Esta semana pulularam declarações desastrosas de jogadres sobre seleções alheias, que às vezes nem adversários diretos ainda são. A Copa está esquentando!

Amanhã, Argentina e Alemanha prometem um jogão. Duas das seleções que mais impressionaram nesta Copa estão vindo com tudo, e quem passar desta partida quase certamente estará na final. Se tudo ocorrer bem e o Brasil for à decisão, deve estar atento neste jogo para saber os segredos de um possível adversário.

29.6.06

Artigo bacana de hoje

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José Geraldo Couto

Nunca está bom
Não surpreende a torcida cobrar a seleção, e sim ficar inerte sobre o país


FOI MEU amigo Mauricio Stycer, editor da revista "Carta Capital", quem chamou minha atenção: "Já reparou como somos exigentes com a seleção brasileira? Vencemos as quatro primeiras partidas, e, mesmo assim, ninguém está satisfeito". É a pura verdade. Existe um contraste entre o oba-oba da TV e o sentimento de insatisfação dos torcedores com a equipe de Parreira. Isso se vê (ou se ouve) nas ruas das cidades brasileiras e também nos estádios alemães. Você já viu uma torcida menos entusiasmada e solidária com seu time do que a brasileira? As outras seleções podem estar empatando a duras penas, podem estar ganhando feio, podem estar até perdendo, e as suas torcidas estão lá, cantando hinos, entoando gritos de guerra, apoiando, incentivando. A do Brasil parece se manifestar só na hora do gol e quase que por obrigação. Isso quando não vaia. Para nós, nada está bom. Ganhar de pouco é ultrajante, fazer gol feio ofende. E sempre brandimos a ameaça: se o próximo rival jogar um pouco melhor que o anterior, adeus. Não me entenda mal. Sou um dos primeiros a falar mal de nossas atuações, a cobrar um futebol mais solto e bonito. Estamos aqui para isso. Mas não deixa de ser interessante pensar nisso: o brasileiro, que convive mais ou menos passivamente com a humilhante concentração de renda, com a escandalosa corrupção, com a alarmante violência, com o precário saneamento básico, com ônibus lotados, filas em hospitais, falta de moradia e uma infindável série de etc, não tolera uma exibição medíocre da sua seleção de futebol. Por que acontece isso? Talvez porque no futebol, a despeito de nossas grandes realizações (cinco Copas não são pouca coisa), fique mais claro que em qualquer outro departamento que poderíamos ir ainda mais longe. Esse alto grau de exigência não é estranho. Estranha é a aceitação passiva de tudo o mais que nos cerca. Nas outras modalidades da vida, não passaríamos das eliminatórias.

jgcouto@uol.com.br

23.6.06

"Ih fu..., o Ronaldo emagreceu!" e a Copa não é mesmo cheia de surpresas?

por André Monteiro
ANTES QUE OS "Ronaldantes" ensandecidos me apedregem virtualmente, me rendo: demorou, mas Ronaldo desencantou! Não que ele tenha jogado, ainda, como na Copa passada, mas estufar a rede tira qualquer argumento da boca -- haja visto o ótimo futebol que estava sendo apresentado no primeiro tempo e aquele gol dos japoneses que parecia amargar a festa do intervalo. Pode ser que toda a crítica da imprensa a ele seja até uma questão de não entender como funciona o esquema "Ronaldiano": ele sempre vem desacreditado, criticado, envolto em problemas os mais estranhos -- mas no fim das contas isso talvez seja o combustível para ele se superar. E, ao menos tudo indica, ele conseguiu (ou os marcianos se sensibilizaram com a lenta agonia ensaida), como eu achava tão difícil. Mas errar já faz parte do meu currículo neste bolgue. Mas nesse clima de Copa, como é bom calar a boca e gritar pelo "fofinho"!
AGORA, EVIDENTE que fora o componente emocional derivado dessa crítica e desconfiança, a perda do peso ajudou, e muito, como disse ontem o Moraci. Finalmente se esclareceu o que estava sobrando, o que para um atleta de rendimento não era pouca coisa. O esquema tático armado (finalmente uma das Torres de que todos falavam ruiu) também ajudou a bola a chegar aos pés de Ronaldo, e agora Parreira tem o que Tostão dizia que faltava: um problema nas mãos para escalar o time. Do jeito que estava não dava pra ficar. Adriano parece ter perdido a vaga, pelo menos é o que esperamos. Não contava com isso, mas com Robinho jogando o que está, e a permanência de Juninho: deixa o gordo lá vai...e viva o gordo!
É, O CAFU É um ótimo lateral mesmo, sem dúvida. Mas com a partida de Cicinho hoje...não quero ser o Parreira na terça não. Se fosse, o menino do Jardim Irene não ficaria com a vaga não, o que é mesmo uma pena. O que todos vimos hoje é que a seleção tinha que mudar, como todos pediam. E isso foi melhor para todos, a não ser os que podem ter perdido a vaga (e também Roberto Carlos, e agora? Na minha escalação, fora). Contingências necessárias para uma equipe que, só agora, faz jus ao favoritismo que sempre a acompanhou.
QUE VENHA Gana....e que venha gana.

22.6.06

Vitória da...






... o Juca Kfouri disse: do futebol, mas sei não. Para mim, foi da fofice (e vamos se eu consigo explicar aqui o que é fofice).
Fofice do Ronaldinho, "servindo" Ronaldo desde o jogo passado.
Fofice da gente, torcedores, que ouviu a uruca, mas continuou conseguindo esperar o Ronaldo desencantar.
Fofice do Ronaldo (sem ou com trocadilho, tanto faz), que conseguiu abstrair todos seus tormentos e, finalmente, entrou em campo.
(Claro, tem uma leitura mais cínica e/ou mais realista, às vezes as coisas se confundem, que deve olhar tudo isso com muito menos, ahn, alegria, mas fica para depois. Agora é o seguinte: 1, 2, 3 e 4; 4 a 1!)
Do balaco.

... mas eu estou com um medinho...



(e não estou sendo irônica...)

E é isso aí: Gana, Gana, Gana

Eu sei, é uma herança esquerdosa meio besta, mas não gosto dos EUA se metendo em futebol. Como diz o Matthew, meu amigo americano, se meter com futebol é pior coisa que os EUA poderiam fazer para irritar ainda mais o mundo....
Dá gosto quando eles perdem.

E, enquanto isso, Gana vai ganhando dos EUA!!!

Sen-sa-ci-o-nal!!! Não estou vendo, mas a vitória me deixa felicíssima!!!

21.6.06

Comentário sobre artigo

por André Monteiro

O MÚSICO LÉO JAIME OFERECE interessante tese em artigo publicado no Nomínimo. O desapontamento e as duras críticas feitas pela imprensa em relação à atuação da seleção brasileira e Ronaldo, e que aqui, pelo menos nas palavras deste comentador, se reproduzem, se devem, para Jaime, a um certo saudosismo daquilo que nunca existiu, e nem foi prometido: um futebol platônico em que o "Brasil vence de 90 a zero, com 45 gols de bicicleta e o adversário não vê a bola uma vez sequer. Um jogo fácil e sem graça. Um tédio ideal".

NÃO SEI SE É EXATAMENTE isto que está norteando a crítica em relação aos craques da seleção. Mas um de seus argumentos acredito não ser verdadeiro: ele diz que este grupo não se classificou facilmente, sempre foi favorito, mas não imbatível e que os craques nunca prometeram um espetáculo, mas sim ganhar. Tudo bem, não me lembro mesmo que Ronaldinho Gaúcho tenha prometido chutar a bola quatro vezes seguidas no travessão, que Ronaldo e Roberto Carlos tenham prometido golaços e dribles espetaculares. Mas quem não viu as propagandas em que nossos semi-deuses faziam tudo isso? Pode ser culpa nossa de acreditar em toda essa baboseira, mas que esperávamos isso, ah se esperávamos!

DISCORDO TAMBÉM QUE a imprensa está ofendendo Ronaldo. Acho mesmo ser o papel da Imprensa ser a "chata" da história, pegar no pé, sempre respeitando todas as regras do trabalho jornalístico. Digo da Imprensa com 'I' maiúsculo, porque não considero imprensa veículos e pseudojornalistas que só aproveitam oportunidades como a má fase de alguém para fazer sensacionalismo e jogar lenha da fogueira. Ronaldo é ou foi um dos melhores jogadores do mundo, está jogando mal atualmente, pode melhorar amanhã, como já se recuperou de más fases anteriormente, embora seja difícil em tão pouco tempo. Só isso.

EMBORA TUDO ISSO, o artigo de Léo Jaime é oportuno. Talvez falte na imprensa de hoje o que caracterizou ela no passado: um ufanismo vibrante. Acho que estamos tão críticos assim porque não temos mais a mordaça da ditadura. Como disse Fernando Gabeira em seu
blog: "Na Copa de 70, alguns de nós resolveram torcer contra o Brasil. A vitória fortaleceria a ditadura militar. Nos primeiros lances do jogo, a emoção sepultou os vestígios de análise política. Éramos todos fanáticos torcedores brasileiros". Mesmo o mais carrasco jornalista se entrega aos encantos, mesmo quando magros, da seleção verde-amarela.

20.6.06

Cadê a Turma do Avalone?

por André Monteiro

A VIBRANTE INTERAÇÃO bloguística ensaiada na última semana parece estar tomando fôlego -- ou apenas passou um certo encantamento inicial de virar um especialista, como bem disse nosso companheiro Thiago em "Antes de mais nada". Realmente é difícil acompanhar tudo e ainda dar uns palpites, e por isso conclamo os companheiros ausentes para encorpar nosso time. Cadê a "Turma do Avalone" hem?

DA SEMANA PASSADA, já passaram muito jogos, inclusive uma passagem um pouco menos destrambelhada do escrete canarinho. Todos parecem ter sentido o safanão da repercussão do jogo de estréia, mas ainda falta à seleção -- quero acreditar -- o que Parreira acha que falta ao Ronaldo: jogo. Contra o Japão do "sapo enterrado" de Zico (que Juca Kfouri classificou como um convidado de banquete se sentindo pouco a vontade, até agora) existe uma ótima oportunidade, já com a classificação nas mãos, para Parreira destronar as Torres Gêmeas e "testar", por assim dizer, um plano B. Caso os dois tanques não tenham força para passar por cima (ou por baixo, escorregando) de seleções menos acanhadas na próxima fase, usar jogadores mais versáteis pode ser uma boa opção. Mas de tanto falar já está riscando o disco. Parreira é um homem inteligente, deve saber o que faz.

DE LUTO PELA morte de Bussunda, conto duas piadas infâmes, mas certamente envidas pelo humorista do além:

  • "Final da Copa. 46 minutos do segundo tempo. O empate levará o Brasil à decisão por pênaltis. Em desabalada carreira, Robinho cruza a bola quase na linha de fundo para Juninho Pernambucano matar de peito e chutar....goleiro espalma a bola, mas Juninho com desenvoltura e agilidade rebate e marca! Brasil hexacampeão mundial!!!!...Parreira acorda assustado, coloca as mãos sobre os cabelos suados e diz: "Nossa, que pesadelo! Devo estar tomando muito Guaraná Antártica!"

  • "Zico, abatido pela péssima atuação dos japoneses, que não aprenderam seus ensinamentos, encontra Parreira um dia antes do último jogo da primeira fase. "Pô Parreira, o Japão está mal, não fez uma boa Copa. Vocês, por outro lado, já estão classificados. Você bem que podia, por camaradagem, facilitar minha vida para dar um pouco de alegria aos japonese e fazer o futebol crescer por lá!" Parreiar rebate: "Mas o que você tá querendo Zico, que eu coloque os reservas?" Zico: "Não! Não, Parreira, os reservas não!"

17.6.06

SURPRESAS

por André Monteiro
ESTA COPA ESTÁ MESMO cheia de surpresas. As péssimas para os brasileiros na semana passada, e as ótimas para o fã de futebol nesta rodada. Ontem a Argentina mostrou a que veio, num linda goleada construída coletivamente, orquestrada de perto pela vibração de Maradona, e contra um adversário que muitos disseram ser superior à Croácia que o Brasil enfrentou na terça. É esperar para ver o que uma seleção que a tempos sufoca uma emoção maior (ainda mais depois da derrota para o Brasil na Copa das Confederações) e que tem no banco duas armas que qualquer técnico iria querer (a não ser Parreira, talvez): os explêndidos Carlitos Tevez e Lionel Messi.
DIANTE DA MINHA PREFERÊNCIA declarada pelos africanos, achei ótimo o empate de Angola contra os mexicanos, que muitos apontavam, junto com os checos, uma das possíveis surpresas do Mundial. Um país devastado por anos de guerra civil, com o maior número de minas terrestres em funcionamento, e com a maior população de mutilados de guerra, mereceu comemorar com júbilo o primeiro ponto marcado em Copas do Mundo. Vendo a partida ontem, não pude deixar de pensar que é realmente um milagre ver essa seleção em campo, junta, em despeito a todas as separações étnicas que ocorrem no país. "Campo Minado", um filme fraquinho que deve passar na Sessão da Tarde, é bom ao menos para mostrar a realidade dos angolanos. Indicação melhor é o excelente livro "Os Cus de Judas", de Lobo Antunes, uma lição de história e literatura. Em tempo -- o Brasil, em 1975, foi o primeiro país a reconhecer a independência dos angolanos.
OUTRA ÓTIMA SURPRESA foi a bélissima vitória de hoje, da seleção africana de Gana contra a faladíssima República Checa. Os ganeses realmente jogaram muito bem, e mostraram um bom futebol, reflexo, talvez, do trabalho que vem sendo feito nas categorias de base (sub-17 e sub-20) da seleção ganesa.

16.6.06

E FELIZMENTE NÃO É ELE QUE FAZ JORNALISMO

por André Monteiro

NENHUM JOGADOR está ganhando tanta manchete como Ronaldo. Haja visto sua repercussão até mesmo neste blogue, apesar de que quase monopolizo os posts sobre ele. Tudo bem, vou parar porque já está parecendo pessoal. Só escrevo se acontecer alguma coisa que jornalísticamente não tenha como fugir -- como se ele for picado pela mosca tsé-tsé (a do sono, se não foi no dia 12), contrair uma varíola ou febre amarela, ou sair aos beijos de uma boate com uma nadadora alemã. Opa, essa eu deixo passar, seu arrependimento vai ser maior que o meu.

EM DECLARAÇÃO no dia de ontem, perguntado se ficava chateado com a repercussão que a imprensa fazia com seus vários problemitas (e quantos não? -- porque ninguém ouve falar de uma unha encravada do Lúcio, ou de algum destempero no Zé Roberto?), nosso ilustre "craque" disse se sentir "aborrecido profundamente" com tanta pressão. Irônico, disse não estar em seu manual que deve sempre jogar bem. Ponto para ele, desceu do salto alto e reconheceu algum problema.

MAS O QUE PARECIA ser um esboço da retomada de uma lua-de-mel com a imprensa, foi jogado abaixo na próxima frase: " Mas infelizmente não sou eu que faço jornalismo". Sorte nossa, apesar da imprensa brasileira estar precisando de um jornalista esportivo de peso, que saia da morosidade do noticiário com notícias rápidas e certeiras.

ESPERO SINCERAMENTE que o segundo invasor do campo da partida de estréia da seleção -- é, um demorou, mas foi retirado, pois não havia segurança, falha da Fifa; o outro, se fantasiando de Ronaldo, ficou quase até o final da partida -- não volte a aparecer e deixe espaço para que onze, e não dez, joguem contra a Austrália. E que Ronaldo, independente de estufar (com perdão do trocadilho) a rede, convença que aquilo foi apenas um lapso.

Jornalismo na Copa

Entrei numa fase Copa, então tenho lido bastante a respeito. Evidentemente, não dá para cobrir tudo, de tanta coisa que tem saído, mas aí vão alguns palpites.

* Os blogues da Soninha, do Bob Fernandes e do Torero têm sido os mais interessantes sobre aspectos extra-futebolísticos.

* O do Juca Kfouri, nem tanto. Impliquei muito com um post catastrófico sobre o Ronaldo, mas, claro, ele é o jornalista que é e tem comentado cada jogo.

* Comecei a acompanhar só hoje, mas o do Luis Fernando Veríssimo promete o de sempre: texto inteligente e bem escrito.

* A coluna do Tostão, na Folha, como sempre é imperdível. E o José Geraldo Couto, para mim, é o sujeito que faz um dos melhores textos sobre o tamanho, o significado e a importência do futebol no Brasil que eu conheço (eu, quando escrevo sobre isso, me inspiro e imito descaradamente o Zé).

* E o texto do Xico Sá, que assistiu o jogo junto com os Anhangabaú junto com os "os sem-pátria, os sem-sofá, os sem-amigos e os sem-amores", é brilhante.

15.6.06

SALVE TRINIDAD


por André Monteiro

NÃO FEZ FEIO a faladissíma -- aqui em nosso blogue por erros deste comentador -- seleção caribenha contra a Inglaterra do gigante Peter Crouch. Só no finalzinho, aos 38 minutos da etapa final, o Quasímodo magrelo conseguiu furar a zaga trinintina (ou tobaguense, tanto faz), abrindo o marcador que se fechou com o belo chute de Gerrard já nos acréscimos.
MAS O QUE ME CHAMOU atenção mesmo, haja visto minha preferência já dita pelas seleções menores, foi o lance em que o grito de gol quase se soltou dos meus pulmões, protagonizado por dois Johns. O (Stern) John de Trinidade Tobago toca para o gol vazio -- não fosse a elasticidade do inglês Jonh (Terry) para afsstar o perigo de qualquer jeito.
A COINCIDÊNCIA DE NOMES não é mero acaso -- as duas ilhas caribenhas, após passar nas mãos de espanhóis e holandeses, pertenceu ao domínio colonial do Império Britânico até 62, quando conseguiu a independência.

O sacrifício de Ronaldo



"Com esse ataque midiático constante e invasivo, não deveria se constituir surpresa se fatos como o curto-circuito de Ronaldo na final da Copa de 98 venham a se repetir." Escrevi isso dias atrás, mais precisamente na coluna de TV da Folha de 28 de maio.
E, embora eu preferisse estar bem errada, já está em curso o sacrifício ritual de Ronaldo. É pena. O Ronaldo é um sujeito já atormentado por natureza e de uma fragilidade enorme. Presa de seu próprio deslumbramento, Ronaldo é bom jogador quando se abandona, se esquece de si mesmo em campo. E se ninguém deixa, aí fica difícil. O Scolari conseguiu. O Parreira não sei não.
Torço para estar errada.

14.6.06

COMENTÁRIOS ATIVADOS

Quem quiser comentar as postagens de todo mundo já pode. É só clicar abaixo do texto no link verde "X comments"

AS TORRES GÊMEAS

por André Monteiro

O QUE JÁ ERA unâninime nas discussões do programa Linha de Passe da ESPN acabou se confirmando ontem: Ronaldo não está o que sempre foi. Longe de querer ofender um dos maiores craques que a seleção já teve, desde a preparação em Weggis os jornalistas estão dizendo que Ronaldo, se não está gordo, pelo menos está diferente fisicamente. O problema se agrava mais com a participação sempre desastrada de Lula no episódio, e a falta de transparência do craque e da comissão técnica, que não esclarecem seu peso normal, seu peso agora, e o que está sobrando.

NA PARTIDA de ontem, se explicitou que o ataque fulminante e a vocação ofensiva do Brasil não serão realizados se o "quadrado mágico" continuar jogando assim. Além da imobilidade cômica, se não fosse trágica, de Ronaldo, o que muitos comentaristas estão apontando é que a formação do quadrado tem dois ótimos jogadores de um lado -- e apesar de ter dois também ótimos jogadores do outro, eles se comportam como as torres gêmeas, são fortes, mas não se mexem, a bola vai, rebate e volta. Só espero que o destino da nossa dupla de atacantes não seja, para o bem deles e o nosso, igual aos prédios de Nova Iorque.

PARREIRA FOI CATEGÓRICO ao afirmar que Ronaldo permanecerá na próxima partida, e que sua inadequação em campo será curada se jogando. Realmente ninguém duvida da capacidade do craque em dar a volta por cima, o que já fez muitas vezes, a maior delas na última Copa, saindo de um problema no joelho para a consagração no Mundial. Mas será que conseguirá em tão poucos dias? Sua atuação foi péssima, e, aqui, discordo veementemente do companheiro Leandro -- Ronaldo parecia o cone laranja do Shopping D. Pedro que tantas vezes quisemos roubar. Tomara que consiga, mas se não conseguir, espero que Parreira olhe atentamente para suas opções no banco, especialmente Robinho, o elemento que o jornalista PVC está chamando de Tenaz: é ele quem pode colar o ataque com o meio-campo, o que nossas torres gêmeas não estão conseguindo fazer.

BOLA FORA: a minha, não do Ronaldo

por André Monteiro

RELENDO MEU COMENTÁRIO sobre a trabalheira de Trinidad e Tobago, me senti como nosso craque (?!) Ronaldo devia estar se sentindo na partida de estréia da seleção: um peixe fora d'água. No ímpeto de celebrar as seleções menores da Copa do Mundo, tendência deste comentador que vem dos idos anos da infância quando decorava a escalação de Camarões, mas não sabia sequer o nome do lateral esquerdo da seleção, cometi um erro crasso de Geografia que deve ter deixado minha querida ex-professora do Colegial com os poucos cabelos que ainda restam em pé. Não, Trinidad e Tobago não faz parte da África, mas é o menor país da América Central, composto de duas ilhas de clima tropical e terreno montanhoso situadas próximas ao largo da costa venezuelana, com população de aproximadamente um milhão de habitantes, que constituem a segunda maior população de falantes do Inglês na região, atrás da Jamaica, um resquício da colonização inglesa só afastada em 1962.
PARA MINHA SORTE, e para a sorte de Ronaldo na partida, ambos tivemos alguma salvação. No meu caso, a entrada definitiva de nossa querida professora Bia na escalação do Blogue fez por atenuar meu erro com comentários interessantes e oportunos. Já para o nosso "craque", a entrada de Robinho terminou a humilhação, que internamente deveria estar sendo maior ainda, de sua apresentação na estréia -- mas isso é assunto para comentário mais acima.

13.6.06

Balanço rápido e emotivo


Dida jogou pacas.
Ronaldinho jogou pacas.
Ao contrário de Copas anteriores, a defesa não preocupou (embora não tenha sido exatamente impecável).
Vamos lá. As barreiras metafísicas podem se dobrar à realidade. Tomara.
E, de novo, o Ronaldinho é rei!.

Dobro a minha língua


Kaká, Kaká. Implico com ele: é religioso, careta, sãopaulino etc. Mas é um craque. Disse um amigo meu: a cara mudou, agora que ele não é mais virgem.
Bingo.
A cara mudou, o futebol ficou menos coxinha.
Brasil 1 X 0 Croácia.
Tá certo, certíssimo.

A pátria em chinelas


Por ora, é a imagem mais eloqüente do Brasil na Copa. Em chinelas, pés machucados -- se, nos anos 50, orgulhosos do desenvolvimento e das possibilidades que se abriam para o país, envergávamos chuteiras, hoje, estamos com os pés descalços, esperando as feridas sararem.
Estamos há umas tantas dezenas de minutos -- o relógio do meu laptop marca 14h02 da estréia -- de estrear na Copa. Eu aposto no Brasil, quero que o Ronaldinho tenha a "sua" Copa (quem diabos nos fez tão potentes a ponto de acreditar que um dos nossos mereça uma Copa só para si?), acredito que o futebol brasileiro, além de o melhor, é também o mais bonito, bacana e culturalmente significativo futebol do mundo, mas temo pelas impossibilidades metafísicas.
Quanto às futebolísticas, não arrisco lá palpites muito próprios. Prefiro fazer minhas as ponderações sábias de comentaristas mais experimentados (como o Tostão ou o Juca) ou mais atentos (meus alunos aqui). Acho que temos condições futebolísticas o suficiente -- ou, numa versão hiperrealista, pelo menos não inferiores a qualquer dos selecionados.
As condições metafísicas, entretanto, é que são elas. Para além do quadrado mágico, para além do brilhantismo dos Ronaldos, da competência a provar de Kaká e Adriano etc., etc., para além de todas as realidade sensíveis, paira uma ameaça. Espero, muito sinceramente, estar errada. Vamos ver.

PS -- Queridos alunos, que bacana o blogue!

10.6.06

"Trinidad e TRABALHO"

por André Monteiro

A PRIMEIRA ZEBRA desta Copa do Mundo já apareceu. E não demorou muito, logo no segundo dia de competição, a seleção caribenha de Trinindad e Tobago arrancou, literalmente, um empate da europíssima seleção da Suécia. O que era para ser um placar folgado para o país louro, acabou se mostrando uma verdadeira trabalheira para achar o gol: nem mesmo os craques Ibrahimovic, Ljungberg e Larsson conseguiram colocar a bola pra dentro.
MUITAS E MUITAS chances foram disperdiçadas, parecendo aqueles dias em que você diz "hoje não era pra entrar".
Apesar disso, em sua 11ª participação em copas, os suecos dominaram a partida desde o começo do jogo. Os africanos, apesar da típica euforia de estréia em Copa, pegaram duro na defesa com entradas fortes e carrinhos perigosos.
OS SOCA WARRIORS como são conhecidos os jogadores comandados pelo técnico holandês Leo Beenhakker, mostram disposição durante todo o jogo, o que, aliás foi a marca das seleções africanas que entraram em campo neste sábado (Costa do Marfim também não fez feio no empate com a hermana seleção da Argentina). Talvez essa diposição seja reflexo do alto-astral irradiante no grupo africano, o que fez Beenhakker colocar uma placa na porta do vestiário de seus jogadores dizendo: "Entrem, sorriam e aproveitem a Copa do Mundo". Os destaques da seleção caribenha foram o elástico goleiro Shaka Hislop e o excelente Sancho.
ABATIDOS COM O EMPATE, a seleção sueca saiu rapidamente para os vestiários. Os trinintinos, entretanto, custaram a deixar o gramado do Westfalenstadion, e fizeram muita festa ao serem aplaudidos de pé pela torcida. O técnico da Suécia Lars Lagerback elogoiu o desempenho de Trinindade Tobago, mas achou o resultado injusto.